
Paulo Pinto / Fotos Públicas
Por Paulo Henrique Arantes
O crime organizado comanda o show no varejo das drogas e fez aumentar muito a oferta nos últimos anos, seja a cocaína, a maconha ou qualquer outra droga. Estão aí as eleições municipais, e prefeitos devem ter iniciativas nesse campo, buscar sintonia com os governos estaduais, os quais não devem recusar eventuais apoios do Governo Federal.
É claro que o próximo prefeito de São Paulo não vai resolver o problema das cracolândias, mas parece que Guilherme Boulos possui ideias a respeito mais civilizadas que as de seus concorrentes.
O sistema que abastece São Paulo de drogas é muito eficiente. Uma grama de cocaína nas quebradas da região central sai por 20 reais, pouco mais ou pouco menos que isso. A cocaína é “batizada”, me conta quem é do ramo, com muitas impurezas, o que significa que o usuário está cheirando menos cocaína, mas, em contrapartida, está também consumindo várias substâncias que afetam a saúde de forma negativa.
Nunca tivemos ações claras quanto ao tratamento do usuário de drogas. Quase nenhuma prevenção nas escolas.
Quanto à internação de usuários, o tema acende polêmicas. Importante lembrar que internação compulsória não é um ato médico – é o ato de um juiz. A família pode marcar audiência com o juiz, entrar com pedido de internação – é quando não consegue mais conviver com a pessoa drogada, a qual comete atos de violência, furta ou rouba para abastecer o vício. O juiz pode atender ao pedido de imediato ou designar um perito para ver aquela pessoa precisa mesmo de internação compulsória. De todo modo, o modelo tem contornos de crueldade.
Imagine, o leitor, a seguinte situação. O Estado realiza uma ação ampla e interna compulsoriamente 30 pessoas. Há 2 mil pessoas na cracolândia central de São Paulo. Nada mudará.
Um especialista ouvido pela coluna mencionou estudos demonstrando que um usuário de crack gasta com a droga, em média, 150 reais por dia. Esse cidadão à margem da sociedade não trabalha. De onde vem esse dinheiro? De prostituição, roubo, furto – há verdadeiras feiras de produtos roubados nas cracolândias paulistanas. Projeta-se, portanto, que as cracolândias movimentem 9 milhões de reais por mês. Existe uma questão mercadológica envolvida.
É preciso combater o tráfico com inteligência, e não é o colunista quem sabe como fazê-lo. O colunista sabe, isto sim, que se a polícia prender 20 traficantes hoje, amanhã haverá mais 20 no mesmo lugar. É preciso desmontar a célula do crime organizado pontualmente instalada – isso nunca foi feito. A receita passa por desestruturar a organização criminosa especialmente no chamado quadrilátero do crack e oferecer saúde para quem precisa. Eficiência policial e política social são as exigências.









