
Por Paulo Henrique Arantes
O “sai pra lá” do governo brasileiro ao ideólogo de extrema-direita Darren Beattie, que pretendia um tête-à-tête com Jair Bolsonaro na Papudinha, constitui correta retaliação diplomática recomendada pelo Itamaraty e chancelada por Lula. O gesto reforça a postura inegociável do Brasil quanto à sua soberania, pouco importando se Donald Trump receberá o presidente brasileiro na Casa Branca com ares pouco amistosos ou se nem sequer o receberá. De todo modo, que garantia se tinha dos bons modos do imprevisível postulante a imperador do mundo perante o mandatário brasileiro?
Enquanto alguns tentam classificar a medida impeditiva contra Beattie como um gesto de hostilidade, torna-se oportuna uma melhor descrição da figura do rechaçado. A mídia não se preocupou em perfilá-lo com esmero. O sujeito é um perigo.
Além de palestrar em eventos supremacistas brancos – como um em 2016 promovido pelo H.L. Mencken Club, que motivou sua demissão do cargo de redator de discursos no primeiro governo Trump -, Beattie sempre martelou seu extremismo publicamente. Eufemisticamente, analistas referem-se a suas manifestações como “racialmente controversas”. Na verdade, são pérolas supremacistas.
Após deixar a Casa Branca – para onde voltou agora, no segundo governo Trump –, Darren Beattie fundou o site político de extrema-direita Revolver News, o qual ganhou holofotes ao publicar uma série de fake news sobre a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021. O Revolver, veículo de causar inveja à revista bolsonarista Oeste, disseminou a estapafúrdia teoria de que o FBI estaria por trás do ataque.
Fartamente desmentida, a mentira de Beattie, contudo, renovou seu prestígio perante a direita trumpista e valorizou-o junto às hordas extremistas, alçando-o à condição de mestre em criar narrativas.
Beattie fala a língua – quando não a define – de fóruns de extrema-direita como o Conservative Political Action Conference(CPAC), que tem edições internacionais, e o Danube Institute, think tank sediado em Budapeste, associado ao governo de Viktor Orbán. Esses ambientes funcionam comopontos de conexão entre políticos, influenciadores e estrategistas de vários países.
No Brasil, o principal interlocutor dessas redes é Eduardo Bolsonaro, hoje desfrutando do american way of life. Bananinha já participou de edições da CPAC, onde predominam as críticas ao “globalismo”, à imprensa em geral e a um tal de “marxismo cultural”. Darren Beattie atua no ecossistema político da direita trumpista que se encontra em fóruns internacionais a exemplo da CPAC e do Danube Institute, espaços de conexão entre políticos, ativistas e estrategistas de vários países que compõem a rede transnacional de extrema-direita.
O que esse sujeito para lá de sinistro ia querer com o golpista condenado Jair Bolsonaro? Faz bem o Brasil em barrá-lo na porta.
