
Marcelo Casal Jr. / Agência Brasil
Por Paulo Henrique Arantes
O elevado grau de infantilidade daqueles que insistem em atrelar o Executivo ao caso Master, quando não o presidente da República pessoalmente, não surpreende. Mentiras forjadas, teorias estapafúrdias e distorções absurdas da realidade desde sempre são a marca da estratégia bolsonarista, hoje desenhada para impulsionar a candidatura de Flávio, a qual mais cedo ou mais tarde adernará como um navio torpedeado.
A imprensa que bate no peito para se dizer profissional e vive de vazamentos seletivos deveria ser mais contundente ao mostrar que os políticos de evidente proximidade com Daniel Vorcaro são Ibaneis Rocha, Ciro Nogueira, Nikolas Ferreira, Davi Alcolumbre e Antonio Rueda, além de dois grandes recebedores de doação, via o cunhado-pastor Fabiano Zettel, para campanha eleitoral: Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. Claro, essencial lembrar que o banco-máfia floresceu durante a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central.
De todos esses nomes, o que mais salta aos olhos pela blindagem é o do governador de São Paulo. Tarcísio de Freitas buscará a reeleição contando com a simpatia e a condescendência da imprensa que o lançou a presidente pouco tempo atrás, enaltecendo-o como “gestor”, uma espécie de Bolsonaro com aptidões técnicas e sem perdigotos. Uma farsa que, em boa medida, emplacou.
Fosse mesmo profissional, fosse de fato imparcial, fosse realmente fiscalizadora do Poder, a imprensa mainstream insistiria no desvendamento dos vários casos de má gestão ou suspeitos de corrupção que recaem sobre a administração Tarcísio. Não o faz e ainda exalta o “perfil técnico” de um acovardado, de um político solenemente escanteado por seu padrinho político, direto da cadeia.
Este articulista não é “rei do bastidor”, já que essa área VIP é ocupada pelas comentaristas globais, mas possui filtros e boa memória, além de uma eficiente ferramenta de busca. Será que ainda veremos nos jornalões e nas escaladas dos telejornais cobranças por esclarecimento dos casos relatados a seguir?
Que fim levou a Operação Ícaro, que apurou fraude bilionária de créditos de ICMS, num esquema envolvendo auditores fiscais da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo? O Ministério Público estima que os criminosos possam ter movimentado até R$ 1 bilhão, numa teia envolvendoempresários de grandes redes varejistas e um auditor fiscal. Ao que consta, a operação segue em andamento. Tarcísio limitou-se a dizer que determinou punições administrativas.
Por que não se fala mais do programa de estradas rurais “Melhor Caminho”, cabeluda controvérsia envolvendo contratos da Secretaria da Agricultura paulista?
Relatórios apontaram possível duplicidade de pagamento em obras de estradas rurais, além de suspeitas de fraude na comprovação de início das obras. Foram usadas fotos repetidas para justificar execução de obras em diferentes municípios. Cerca de 147 inquéritos e pelo menos 12 ações foram abertos pelo Ministério Público relacionados aos contratos. A Secretaria defendeu a legalidade dos contratos e arquivou uma investigação interna.
Fosse Lula ou Haddad governadores de São Paulo, a mídia, serviçal da elite do atraso, já teria escandalizado “provável ligação com o PCC” pelo caso narrado a seguir. Tarcísio, contudo, não está sujeito a tal elucubração.
Investigações do Ministério Público contra o crime organizado apontaram que empresas ligadas ao Primeiro Comando da Capital teriam participado de contratos públicos. Denúncia menciona que a facção buscava intervir em contratos com o Estado e municípios. Tudo ainda incipiente, é claro, mas um prato cheio para jornalistas se debruçarem atrás de dados sigilosos e vazamentos. Só que tudo que envolve o Governo de São Paulo dispõe de inviolável blindagem.
Mais à frente, dedicaremos artigos exclusivos à privatização da Sabesp e à corrupção na Polícia Civil.
