Em 2020, bolsonaristas espernearam diante do lindo samba da Mangueira

Por Paulo Henrique Arantes

Não é de hoje que bolsonaristas reclamam de sambas-enredo. O que se vê diante da homenagem a Lula feita pela Acadêmicos de Niterói é o primeiro esperneio da reaçaria com vistas às eleições de outubro e, como a livre manifestação cultural está garantida pela Constituição, dará em nada. Registre-se que o grêmio niteroiense não recebeu um centavo a mais de dinheiro público que seus congêneres.

O samba-exaltação da trajetória de vida de Luiz Inácio Lula da Silva é bonito, mas não é uma música inesquecível. Dentre as obras de arte que perturbam os fascistoides, está devidamente eternizado o samba-enredo da Mangueira do ano pandêmico de 2020, de Manu da Cuíca e Luiz Carlos Máximo, intitulado “A Verdade Vos Fará Livres”.

O samba é um protesto contundente que mistura, em melodia emocionada, percepção popular com indignação de base sociológica. Contra o quê, exatamente? Contra tudo que Bolsonaro e seu governo representaram, desde a discriminação e o preconceito até a violência armada.

Os beócios que mandavam no país – mas não nos artistas – condoeram-se mais especificamente com o trecho que citava um “messias” armado, mas a letra inteira é bastante clara: a Mangueira, assim como as comunidades que dão vida ao Carnaval e que são de fato a razão dele, não compartilhavam com tudo que aquele malfadado governo representava.

Aqui vai a obra prima para ser rememorada, uma cusparada na cara da reaçaria:

Senhor, tenha piedade

Olhai para a terra

Veja quanta maldade

Senhor, tenha piedade

Olhai para a terra

Veja quanta maldade

Mangueira

Samba, teu samba é uma reza

Pela força que ele tem

Mangueira

Vão te inventar mil pecados

Mas eu estou do seu lado

E do lado do samba também

Eu sou da Estação Primeira de Nazaré

Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher

Moleque pelintra no buraco quente

Meu nome é Jesus da Gente

Nasci de peito aberto, de punho cerrado

Meu pai carpinteiro, desempregado

Minha mãe é Maria das Dores Brasil

Enxugo o suor de quem desce e sobe ladeira

Me encontro no amor que não encontra fronteira

Procura por mim nas fileiras contra a opressão

E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão

Eu tô que tô dependurado

Em cordéis e corcovados

Mas será que todo povo entendeu o meu recado?

Porque, de novo, cravejaram o meu corpo

Os profetas da intolerância

Sem saber que a esperança

Brilha mais na escuridão

Favela, pega a visão

Não tem futuro sem partilha

Nem messias de arma na mão

Favela, pega a visão

Eu faço fé na minha gente

Que é semente do seu chão

Do céu deu pra ouvir

O desabafo sincopado da cidade

Quarei tambor, da cruz fiz esplendor

E ressurgi pro cordão da liberdade

Mangueira

Samba, teu samba é uma reza

Pela força que ele tem

Mangueira

Vão te inventar mil pecados

Mas eu estou do seu lado

E do lado do samba também

Eu sou da Estação Primeira de Nazaré

Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher

Moleque pelintra no buraco quente

Meu nome é Jesus da Gente

Nasci de peito aberto, de punho cerrado

Meu pai carpinteiro, desempregado

Minha mãe é Maria das Dores Brasil

Enxugo o suor de quem desce e sobe ladeira

Me encontro no amor que não encontra fronteira

Procura por mim nas fileiras contra a opressão

E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão

Eu tô que tô dependurado

Em cordéis e corcovados

Mas será que todo povo entendeu o meu recado?

Porque, de novo, cravejaram o meu corpo

Os profetas da intolerância

Sem saber que a esperança

Brilha mais na escuridão

Favela, pega a visão

Não tem futuro sem partilha

Nem messias de arma na mão

Favela, pega a visão

Eu faço fé na minha gente

Que é semente do seu chão

Do céu deu pra ouvir

O desabafo sincopado da cidade

Quarei tambor, da cruz fiz esplendor

E ressurgi pro cordão da liberdade

Mangueira

Samba, teu samba é uma reza

Pela força que ele tem

Mangueira

Vão te inventar mil pecados

Mas eu estou do seu lado

E do lado do samba também

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