A volta do pato golpista à Fiesp

Alan Santos / PR

Por Paulo Henrique Arantes

Paulo Skaf estará de volta ao comando da Fiesp a partir de 1º de janeiro de 2026. É pena que o setor industrial paulista, quando mais precisa de modernidade e comprometimento com o novo industrialismo proposto pelo governo Lula, caia de novo nas mãos de um oportunista alinhado com a pior direita brasileira.

As manifestações de afeição a Jair Bolsonaro proferidas por Paulo Skaf sempre foram eloquentes. Em 4 de outubro de 2018, então candidato ao governo de São Paulo pelo MDB, Skaf afirmou que “não ficaria neutro em hipótese nenhuma “ e que “meu apoio será para Jair Bolsonaro”, destacando que uma vitória do capitão no primeiro turno “seria boa para o Brasil” e representaria “seriedade absoluta, sem corrupção”.

Às vésperas do segundo turno da eleição presidencial de 2022, Skaf declarou: “Bolsonaro pode falar o que não deve, mas faz o que deve ser feito”.  Fiel aos mantras liberaloides, ressaltou a importância de menos Estado, menos impostos e menos burocracia — princípios que ele afirmava serem defendidos por Bolsonaro, demonstrando desconhecer a notória ausência de qualquer conhecimento econômico pelo golpista.

Mas a figura de Paulo Skaf está indelevelmente ligada àquela ridícula imagem do pato amarelo de 22 metros que, disfarçado de opositor à recriação da CPMF, em 2015, queria mesmo era derrubar a presidenta Dilma Rousseff. Além de golpista, o patão era plágio.

O artista holandês Florentijn Hofman acusou a Fiesp de copiar descaradamente “The Rubber Duck”, que percorreu diversas cidades do mundo a partir de 2007, entre as quais São Paulo, Osaka, Sydney, Los Angeles e outras, levantando uma bandeira que nada tinha a ver com a de Skaf. Isso fez com que, a além da acusação de cópia, o autor alegasse deturpação do sentido de sua obra pela Fiesp.

O pato de Hofman, segundo ele próprio, pretendia “fazer as pessoas sorrirem e lembrarem que, apesar das diferenças culturais, todos compartilham lembranças de infância”.

Aquelas manifestações amareladas na Avenida Paulista são de triste memória, tanto pelo grau de enganação a que eram submetidos os manifestantes incautos quanto pelo alto teor de fascismo / golpismo dos demais. Tais eventos foram brilhantemente descritos pela escola de samba carioca Paraíso do Tuiuti no carnaval de 2018, que desfilou com uma das alas intitulada “Manifestoches”, sob o belo enredo que perguntava se a escravidão fora de fato extinta no Brasil.

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