Trump e Netanyahu já merecem estar no rol dos grandes tiranos da História

Foto de Bendon McDermid (Reuters).

Por Paulo Henrique Arantes

A busca via inteligência artificial por nomes de tiranos dos últimos 100 anos não nos leva a Benjamin Netanyahu nem a Donald Trump, mas a História cuidará disso. Netanyahu safa-se da rotulação de tirano por estar no cargo mediante eleição democrática – uma clara bobagem, pois o voto não o alivia da responsabilidade por milhares de mortes de civis em Gaza, especialmente mulheres e crianças, destruição de hospitais e escolas, bloqueio de remessas de alimentos e outras ajudas humanitárias, uma série de crimes de guerra e conduta francamente colonizadora.

Trump, por sua vez, escapa de ser classificado de tirano porque ainda não fechou o Congresso nem o Judiciário. De outra parte, impõe sanções econômicas duras e descabidas a dezenas de países e, no caso do Brasil, com finalidade de pressão contra o Judiciário brasileiro para impedir a prisão de um irmão ideológico, cujo processo caminha conforme o devido processo legal. As sanções econômicas instituídas por Trump desconfiguram o mundo emergido de um longo processo civilizatório nascido no pós-guerra.

As sanções de Trump constituem vinganças geopolíticas, afetando duramente populações civis e governos democraticamente eleitos. Coisa de tirano, termo que, segundo mentes não-humanas, deve ser empregado com “cautela”.

O tirânico presidente americano também usou o poder de indulto presidencial para perdoar aliados pessoais condenados por crimes graves, como Michael Flynn, Roger Stone e Steve Bannon. Buscou intervir, tiranicamente, no sistema judicial, diretamente ou por meio de aliados, em processos que envolviam interesses políticos ou pessoais. Chamou a imprensa crítica de “inimiga do povo”, enfraqueceu normas institucionais e estimulou a desinformação. Como fazem os tiranos.

Como um tirano, tentou reverter o resultado das eleições de 2020, conduta que resultou na invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021, evento sem precedentes na História americana.

A lista de tiranos dos últimos 100 anos que a inteligência artificial nos fornece inclui, entre outros, Hitler, Stalin, Mussolini, Pol Pot, Pinochet, Franco, Kim il-Sung. Exclui Netanyahu e Trump, talvez porque seus atos sejam recentes demais para que a Histórica os contemple com o título. É uma questão de tempo.

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