
Deputados “patriotas”: Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli.
Por Paulo Henrique Arantes
É praticamente unânime a opinião de que a Justiça italiana irá autorizar a extradição da deputada foragida Carla Zambelli (PL-SP). Condenada por crime comum no Brasil, a parlamentar não terá como provar-se perseguida política. Sua dupla cidadania não impede a extradição, pois a cidadania prevalente é a brasileira – ela nunca residiu, estudou ou trabalhou na Itália.
Extradições pela Itália de condenados em outro país dependem de o chefe de Estado – o presidente da República – ordená-las, após autorização da Justiça. Não será, portanto, a primeira-ministra Giorgia Meloni, direitista empedernida, quem vai dar a última palavra sobre Zambelli, mas o presidente Sergio Mattarella.
Claro, Meloni pode influenciar Mattarella, mas as apostas são de que nem ela, que é do MSI, grupo político descendente do fascismo, terá disposição política para trabalhar contra a extradição de Zambelli. A primeira-ministra não se desgastará por uma parlamentar brasileira sem qualquer relevância política internacional.
Menos ainda fará por Zambelli o presidente Mattarella, do histórico PD (Partido Democrático), eleito e reeleito, conhecido por suas posições moderadas e comprometimento com os valores democráticos e o Estado de Direito. E a presidência do jurista Mattarella está longe de ser decorativa.
Vale lembrar que Sergio Mattarella interveio em crises políticas, como a que levou à queda de governos instáveis. Recusou a nomeação de ministros em casos de forte risco à ordem constitucional, como quando rejeitou um nome do eurocético Paolo Savona para o Ministério da Economia. Convocou figuras técnicas, como Mario Draghi, para formar governos de emergência.
Embora discreto, Mattarella costuma exercer autoridade real e relevante nos bastidores, com foco na estabilidade institucional e no cumprimento da Constituição. Não será o homem a garantir liberdade a uma criminosa como Carla Zambelli.
