Steve Bannon sopra maldades no ouvido de Donald Trump

Por Paulo Henrique Arantes

 A partir de sua chegada à Presidência da República, Jair Bolsonaro capturou para perto de sua persona pouco aprazível grupos extremistas de direita mundo afora, muito pela atuação de seu filho Eduardo e a despeito do primitivismo argumentativo deste. A elite brasileira fixa-se no topo social via exploração de costumes, regras morais hipócritas e disseminação despudorada de mentiras. Com Bolsonaro, Eduardo e Olavo de Carvalho, essa elite preconceituosa e egoísta agregou-se à cadeia global de extrema direita, cujo guru é americano.

Depois de um século importando geladeiras e comida processada dos Estados Unidos, passamos a importar uma forma criminosa de fazer política, calcada na destruição de consensos globais e de avanços civilizadores. E num sofisticado processo de criação e disseminação de fake news.

Steve Bannon, o guru americano, paira sobre governos e governantes pouco afeitos à democracia. A imprensa agora noticia que ele é homem por trás das sanções de Donald Trump ao Brasil, o sujeito a soprar-lhe maldades nos ouvidos, a lhe descrever fragilidades brasileiras. Não há surpresa.

A proximidade dos Bolsonaros com o estrategista americano sempre foi exibida pela família como um troféu. Em outubro de 2021, Bannon disse publicamente que a eleição presidencial brasileira de 2022 seria “a segunda mais importante do mundo”, fundamental para o reerguimento do bloco global de extrema direita. Como se sabe, eles perderam e tentaram um golpe para permanecer no poder.

O caso Cambridge Analytica-Facebook, durante a primeira campanha eleitoral de Donald Trump, teve Bannon no meio da turbulência. Naquela época já abundavam noticias de que o estrategista da extrema-direita queria aportar no Brasil.

Não há sinais que o método Steve Bannon desaparecerá tão cedo. Não se vai acordar em 2030 e ver que o pesadelo acabou. No caso brasileiro, o método Bannon ancora-se em órgãos de imprensa de direita, os quais respaldam teses descoladas da realidade, nas redes sociais, operadas por megaempresas suscetíveis a qualquer coisa por dinheiro, e em crenças arraigadas na própria família brasileira. Importante salientar que não se trata de um simples movimento conservador, mas de uma ação coordenada de dilapidação das conquistas civilizadoras, que agora conta com apoio da maior força bélica do planeta.

Deixe um comentário