
Por Paulo Henrique Arantes
Jair Bolsonaro foi um deputado medíocre em termos de proposições legislativas. Consagrou-se como um exaltador de próceres da ditadura civil-militar que oprimiu o Brasil por 21 anos, admirador confesso do covarde torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra. O sanguinário general Médici tinha um retrato na parede do seu gabinete, e de Bolsonaro mereceu tantos elogios quanto o monstro chileno Augusto Pinochet.
Suas ligações, e as de seus filhos, com as milícias cariocas são umbilicais. Esse é um capítulo a ser escrito em detalhes, e que ainda não chegou como deveria às esferas judiciais. Quem sabe quando a família toda estiver presa pelos ataques reiterados à ordem democrática, invista-se em desnudar por completo sua relação com os milicianos do Rio de Janeiro.
O exercício da Presidência da República por Jair Bolsonaro não foi nada, absolutamente nada além de um movimento de destruição da democracia, levado a cabo pelo desmonte ou aparelhamento dos órgãos públicos, de militarização da administração, de tentativas de implantação de um sistema educacional moralista e também militarizado, de extermínio da cultura, de desrespeito às minorias, de afronta ao Judiciário, de conluio com um Legislativo fisiológico, de isolamento internacional, de genuflexão aos Estados Unidos, de forjamento e disseminação de fake news e de corrupção, muita corrupção no próprio Executivo e nas atividades paralelas dos filhos do presidente (rachadinhas, superfaturamento de vacinas Covaxin, tratores superfaturados, joias sauditas, caso Milton Ribeiro na Educação, favorecimento ao garimpo ilegal etc.).
O comportamento de Jair Bolsonaro durante a pandemia serve de exemplo ao mundo de quanto um governante pode ser incompetente e cruel. As chacotas que dirigiu às pessoas que morriam asfixiadas, o estímulo a aglomerações e ao não-uso de máscaras e o empenho diuturno por desacreditar as vacinas alçam-no à condição de genocida.
Por seus atos e palavras, Jair, Flávio, Eduardo e Carlos foram desde sempre inimigos da democracia enquanto no altar do Poder. O trabalho persistente da família pelo armamento da população atesta seu apreço por uma sociedade em conflito e pelo justiçamento. Talvez o Velho Oeste americano seja-lhes o modelo.
O governo Bolsonaro destroçou a economia brasileira. Deixou 255 bilhões de reais a serem pagos pelo sucessor e desonerações que pressionaram a arrecadação futura. Deu calote nos precatórios, os quais tiveram de ser quitados pelo governo Lula. Paulo Guedes estourou o tal “teto de gastos” inúmeras vezes, sem ser cobrado por maiores explicações. A postura negacionista quanto às urgências climáticas derrubou os investimentos estrangeiros.
Hoje, fora do Poder e prestes a ser condenado por articular golpe de Estado, Jair Bolsonaro continua a atuar para minar a democracia brasileira, com a ajuda dos filhos, Eduardo de modo mais proeminente. Buscam – e em certa medida conseguem – uma aliança estapafúrdia com o presidente americano, que acredita ter meios de interferir na condução de processos pelo Judiciário brasileiro.
A família Bolsonaro, portanto, segue trabalhando para destruir da democracia brasileira. E conta com apreciadores aqui, por incrível que pareça. Não passarão.
