Jair autoincriminou-se a cada palavra

Foto Nelson Almeida / AFP

Por Paulo Henrique Arantes

Jair não é uma pessoa inteligente. Ele não difere linguagem coloquial de linguagem infantil. Seu raciocínio é binário e seus argumentos, primários, quando não primitivos. É desprovido de senso de humor e suas gargalhadas soam falsas. Tosco e sem educação, incrimina-se por suas próprias palavras. Assim, Jair veio ao longo dos anos fornecendo atestados de que um ataque ao Estado Democrático de Direito comporia, sem qualquer pudor, seus planos.

Idólatra confesso de ditadores e torturadores, foi finalmente denunciado pela Procuradoria Geral da República ao Supremo Tribunal Federal, com base em um inquérito de mais de 800 páginas produzido pela Polícia Federal.

Uma perpassada por algumas das aspas com que nos brindou ao longo dos anos faz indagar: como um ser tão desumano pôde chegar ao mais alto posto da República? Pergunta dois: como um criminoso praticamente confesso manteve-se tanto tempo livre das mãos da Justiça? Pergunta três: como um propagador de mentiras tão descarado amealha tantos admiradores?

A arquitetura do golpe jairista está detalhadamente explicada na denúncia da PGR e deverá levar Jair e meia dúzia de militares à cadeia, além de outros colaboradores. O momento é oportuno para recordar como o próprio Jair construiu sua imagem de inimigo da democracia. A seguir, 11 sinais emitidos pelo capitão pouco inteligente.

“O erro da ditadura foi torturar e não matar.” Em entrevista à TV Folha (2016).

“Não vai ter nunca mais um presidente da República aqui que tenha a coragem de fazer o que foi feito em 1964.” Em live nas redes sociais (2020).

“Não vou respeitar decisões do Supremo que extrapolem suas funções.”
Durante crise institucional com o STF (2021).

“O Congresso Nacional não representa o povo brasileiro.” Frase repetida em diversos momentos, especialmente após derrotas em votações legislativas (2019-2022).

“Se eu for derrotado nas urnas, só há três alternativas: prisão, morte ou vitória.” Declaração em evento com apoiadores (2022).

“As urnas eletrônicas não são auditáveis.” Narrativa recorrente de Bolsonaro (2021-2022), sem provas.

“Se um dia o Exército resolver botar ordem nesse país, eu estarei na rua.”
Em entrevista ao programa Câmera Record (2020).

“Ou o Brasil melhora, ou acabamos indo para uma solução que nunca quis.” Live em agosto de 2021.

“A imprensa suja, golpista, corrupta, não vai calar a verdade.” Em redes sociais (2020), atacando veículos críticos ao seu governo.

“Não tem como ter eleição limpa com o sistema atual.” Durante discurso a apoiadores (2022).

“O povo não faz nada. Só reclama. Não tem poder.” Fala durante transmissão ao vivo (2020), desdenhando da capacidade de mobilização popular legítima.

Deixe um comentário