
Por Paulo Henrique Arantes
Num evento na Casa das Garças, neste 12 de fevereiro, Armínio Fraga disse ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que a autoridade monetária precisa de ajuda da área fiscal para bem realizar seu trabalho. E assinalou: “a coisa não está bem”.
Muitas coisas não estão bem, porém quase tudo está muito melhor do que quando Armínio era o presidente do Banco Central, entre 1999 e 2002. Não se noticiou o que Galípolo respondeu ao seu interlocutor, mas poderia lhe ter lembrado que naquela profícua gestão a Selic chegou a 45% e terminou em 25%, passando de aterradora para assustadora.
Armínio pediu “ajuda à área fiscal” para promover tamanha redução da taxa básica e vender 25% como o resultado exitoso do seu trabalho? Ou nem foi preciso tanto?
Com a mídia insistindo em ouvir sempre e exclusivamente os próceres do mercado financeiro, alguém precisa mostrar teimosia e lembrar dos anos em que essa gente era governo. Costumava-se bater duro em Lula quando, na sua primeira passagem pela Presidência da República, falava de uma tal “herança maldita”.
O crescimento econômico no final dos governos do Príncipe FHC era pouco mais de 2%. O desemprego havia aumentado consideravelmente, alcançando o maior índice da década – 10,5% -, enquanto a renda per capita estagnara. A confiança de consumidores e investidores desabara, refletindo na redução do consumo e dos investimentos privados. Hoje registra-se o menor desemprego da série histórica (6,4%) e um aumento crescente da renda, com o salário mínimo tendo aumentado 7,5% em termos reais.
Apregoava-se o medo de Lula, virtual eleito para substituir Fernando Henrique. Para restaurar a confiança de “os mercados”, o governo firmou nos seus estertores um acordo com o FMI em 2002, no valor de US$ 30 bilhões e condicionado a uma genuflexão perante a ditadura da austeridade.
Ainda hoje atribuem-se os insucessos de FHC, Pedro Malan e Armínio Fraga a intempéries econômicas internacionais. Lula enfrentou em 2008 a maior crise financeira da História desde a Grande Depressão, e saiu do governo com 85% de aprovação.
Sim, a economia mudou, o mundo mudou, tudo mudou e é arriscado fazer comparações entre aquela e esta épocas. Ora, então por que a mídia – os jornalões, especialmente – só ouvem os economistas saudosos da era FHC?
