Uma lei contra as fake news facilitaria o trabalho de Sidônio

Sidônio Palmeira estende a mão. Foto de Marcelo Camargo (Agência Brasil).

Por Paulo Henrique Arantes

Sidônio Palmeira assume a comunicação de Lula incumbido de tornar os feitos positivos do governo conhecidos da massa, traduzindo-os em linguagem facilmente compreensível, explicando os ganhos proporcionados ao povo e contrapondo-se a movimentos de mídia contrários. Também caberá ao marqueteiro orientar as manifestações públicas do presidente, ao que parece. Além disso, terá de unificar os discursos do Planalto e dos ministérios.

Tudo isso é factível, bem como são possíveis – não certas – as melhoras de imagem decorrentes das novas estratégias. Partindo-se do pressuposto de que o governo está no caminho certo, e que as desaprovações decorrem de desinformação ou informação mal dada, imagina-se que Sidônio passará mais tempo desmentindo fake news do que criando discursos e peças de marketing institucional propositivo.

A indústria das notícias falsas nunca esteve tão pujante, e mentiras como a taxação do PIX são só faíscas. Os magos das fake news estão no topo, sejam eles políticos – Donald Trump -, marqueteiros – Steve Bannon – ou empresários – Elon Musk. Os três citados personificam hoje o poder americano sobre o mundo e deles pode-se esperar qualquer coisa, até Bannon atacando Musk, um rematado teatro em busca de espaço na Casa Branca. Ganha a corja direitista o apoio de Mark Zuckerberg, o cínico capo da Meta.

Por aqui, aquartelados em algum canto, os operadores do gabinete do ódio bolsonarista resistem enquanto o famigerado inquérito das fake news sofre prorrogações. As situações e falas forjadas nas redes sociais, algumas inverossímeis, continuam abundantes. Há de vir do Supremo Tribunal Federal algo que efetivamente ponha limite ao que essa gente classifica como “liberdade de expressão”. Do Congresso não vem nada, mas deveria.

A questão é polêmica, certamente. Mas este jornalista vê, a cada dia mais, como imprescindível uma legislação específica contra as fake news no Brasil. Se há um novo crime tipificado, ele deve ser objeto de lei.

As fake news são peças de estratégias políticas, friamente forjadas e adequadas ao terreno dos robôs e dos algoritmos. O Brasil precisa de uma lei para punir algo que serve de base para nada menos que tentativas de golpe de Estado. Não se pode conviver eternamente com dois mundos – um real, outro fictício, paralelo, forjado por estrategistas de extrema direita dedicados a promover o caos e a caluniar governos democráticos.

Como já escrevemos neste espaço, “o temor de que uma lei específica contra as fake news resulte em censura não se justifica, a não ser que seu texto seja mal escrito ou mal aplicado. É irritante ler, ouvir e assistir a ‘analistas’ falando sobre os ‘riscos’ que podem decorrer de uma lei das fakes, a qual seria potencialmente cerceadora de opiniões. De que planeta vêm esses senhores e essas senhoras? É preciso lhes desenhar a óbvia diferença entre uma opinião e uma acusação mentirosa, um fato forjado para destruir uma reputação ou desacreditar, por exemplo, uma eleição democrática?”

 Uma lei das fake news facilitaria bastante o trabalho de Sidônio Palmeira.

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