Novos dados climáticos confirmam: aproxima-se o ponto de não-retorno

Por Paulo Henrique Arantes

Os dados vieram neste 11 de janeiro. Estudo do Berkeley Earth, centro climático americano, mostrou que 3,3 bilhões de pessoas, 40% da população mundial, viveram 2024 sob um calor inédito. O Brasil, por exemplo, esquentou 1,8% acima da média do período pré-industrial. O México, 1,7%. E o Canadá, terra fria, 3,1%.

O cientista brasileiro Carlos Afonso Nobre, uma das maiores autoridades do mundo em aquecimento global, vem alertando faz tempo. Em maio do ano passado, disse a este jornalista que a Terra pode estar perto do fim.

O modelito “fim do mundo” veste os mandatários dos países que deveriam se ocupar de reverter a devastação da natureza antes de qualquer outra coisa. 

Em meados do ano passado, Nobre avisava: “Nós temos o enorme desafio de salvar o planeta. Já vimos os riscos pelos quais estamos passando pelo aquecimento global no nível a que chegou. Agora, em 2024, as temperaturas globais já atingiram um aquecimento de 1,5 grau em comparação com 1850-1900. É também o momento de mais alta temperatura dos oceanos – o Atlântico está muito quente, partes do Pacífico e do Índico também”.

O temor de Carlos Nobre justificou-se, como vem se justificando há tempos, com os últimos dados do Berkeley Earth.

O aquecimento é responsável pelo aumento de eventos meteorológicos extremos, sejam secas ou chuvas muito intensas. Também por ondas de calor, fenômenos muito graves, extremamente prejudiciais à saúde. “Tudo isso já acontece com muito mais frequência do que antes. As emissões dos gases de efeito estufa, responsáveis por todo esse enorme aquecimento, são quase 70% humanas – queima de combustíveis fósseis (petróleo, carvão, gás natural). Cerca de 23% devem-se à agricultura e aos desmatamentos”, advertia-nos em 2024 o climatologista brasileiro.

As iniciativas das lideranças globais para interromper o aquecimento global, anunciadas em fóruns suntuosos, são tímidas diante da gravidade do momento climático. O aumento da temperatura pode passar de 2,5 graus em 2050, o que será uma tragédia.

Não há saída para o planeta a não ser remover uma grande quantidade de gás carbônico da atmosfera, o que é viável mediante projetos – gigantescos – de restauração florestal. “Temos a obrigação de fazer a maior restauração de florestas tropicais do mundo. O Brasil lançou na COP 28 (Dubai, 2023) o projeto Arco da Restauração, para recuperar 24 milhões de hectares na Amazônia até 2050, 6 milhões dos quais até 2030”, lembrou-nos Carlos Nobre em entrevista concedida no ano passado. Cobrem-se os resultados.

O mundo está bem perto do ponto de não-retorno, e a eleição do negacionista climático Donald Trump nos Estados Unidos agrava ainda mais a situação. Já passou da hora de todos aqueles que, de certa forma, geram orçamentos terem como prioritária a causa climática – na economia mais importante do mundo, sabe-se que isso não acontecerá.  Donos privados do dinheiro, como o megalomaníaco Elon Musk, assessor para loucuras diversas de Trump, deveriam despejar parte de sua fortuna em iniciativas que preservem a vida na Terra, mas preferem projetar a vida humana em outro planeta.

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