Um pouco do pensamento econômico de Gabriel Galípolo, futuro presidente do Banco Central

Foto: Washington Costa / MF

Por Paulo Henrique Arantes

Já se sabia, mas agora é oficial: o indicado de Lula para ser o próximo presidente do Banco Central é o economista Gabriel Galípolo, que escreveu o parágrafo a seguir, a quatro mãos com Luiz Gonzaga Belluzzo, constante do livro “Manda quem pode, obedece quem tem prejuízo”, de 2017:

“O Japão, um dos países mais endividados do mundo, sustenta uma dívida pública equivalente a 250% do seu PIB, mas suas taxas de juros são iguais ou menores que 0%. Os EUA detêm uma dívida de mais de 105% do seu PIB e o FED pratica taxas de juros inferiores a 0,75%. Os países da Zona do Euro apresentam endividamento de aproximadamente 92% do seu PIB, e o BCE também pratica taxas de juros nulas.”

Outro parágrafo da mesma obra:

“A história recente da evolução da dívida pública no Brasil demonstra o avesso da sabedoria convencional. Dizem os sabichões que a taxa de juro é elevada por causa do estoque da dívida, mas o caso brasileiro parece afirmar que a dinâmica da dívida é perversa por causa da taxa de juro de agiota.”

E um terceiro:

“O fato de uma classe social monopolizar os meios de produção e controlar o crédito lhe confere o poder de determinar a renda desta sociedade. Portanto, para que as necessidades pessoais e coletivas sejam satisfeitas é necessário que os agentes detentores dos meios de produção e crédito gerem mais dinheiro do que o investido inicialmente. O destino desta economia depende da decisão de gastar, investir e se endividar dos capitalistas. A complexidade reside no fato desta decisão nem sempre se dar de forma a gerar a melhor renda e emprego para a sociedade.”

Ainda não dá para comemorar, mas os sinais são de tempos melhores. A não ser que Galípolo inspire-se em Fernando Henrique Cardoso e mande esquecer o que escreveu.

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