Folha de S. Paulo confirma que fascismo e neoliberalismo andam de mãos dadas

Brasilia DF 25 06 2019 -Jornalista fundador do jornal The Intercept, Glenn Greenwald em audiência pública na Câmara dos Deputados foto Gustavo Bezerra

Por Paulo Henrique Arantes

  Nem tudo que parece complexo, para ser compreendido, exige explicações complexas. O caso – ou não-caso – levantado pela Folha de S. Paulo acerca de condutas do ministro Alexandre de Moraes encontra numa frase dele próprio a mais perfeita justificativa: oficiar-se a si mesmo seria esquizofrenia.

      Pode-se questionar a formatação do Judiciário, que possibilita o acúmulo de cargos em tribunais superiores, mas não se pode imaginar que o ocupante de dois cargos comporte-se como se não fosse a mesma pessoa.

      Na mesma Folha, o advogado Thiago Amparo foi simples e direto: “O jornal afirmou que a atuação de Moraes estaria fora do rito. O rito era Moraes (STF) oficiar o Moraes (TSE). Qualquer análise precisa partir do fato de que as instituições estavam lidando com um campo político que queria implodir a democracia e literalmente o fez no fatídico 8 de janeiro. Sem essa clareza histórica, o que é análise vira inocência”.

      Para ser contraposta, a “denúncia” de Fabio Serapião e Glenn Greenwald não requer contorcionismos, subterfúgios ou escamoteios. Jornalistas, políticos, juristas e cidadãos em geral que não se encontrem na banda ignóbil da sociedade já compreenderam que o jornal que considerou o regime torturador uma “ditabranda” escancara sua preferência pelo que Jair Bolsonaro e os bolsonaristas representam.

      O “pluralismo” que a Folha de S. Paulo apregoa revelou-se piada de mau gosto há muito tempo. É o velho truque de salpicar colunistas progressistas para mascarar a verdadeira régua pela qual o jornal se baliza: o neoliberalismo, mesmo que a custo da democracia.

   Já tivermos oportunidades, nesta coluna, de explicar como o neoliberalismo, cuja principal arma é a austeridade fiscal, abraça e patrocina regimes fascistas. A coisa começou no Reino Unido e na Itália no pós-Primeira Guerra Mundial, como relatou primorosamente Clara Mattei no livro “A ordem do Capital”, e ultrapassou o século XX para aterrorizar o XXI.

     A obra de Mattei detalha como a austeridade impôs-se contra os levantes de trabalhadores explorados e consagrou-se como argumento impeditivo de avanços sociais. A semelhança com o Brasil de hoje é impressionante, onde a Faria Lima e seus serviçais na imprensa tentam fazer pespegar no governo a imagem de perdulário, semeando uma sensação de caos econômico. Trata-se de óbvia mentira, mas que serve a um jornal neoliberal como justificativa para aliar-se até a um Bolsonaro.

      Os fascistas, exímios produtores de fake news, podem agora servir-se do factoide da Folha contra Alexandre de Moraes, atiçando-se mais uma vez, prontos para um novo bote sobre a democracia.

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