
Por Paulo Henrique Arantes
Nada pode ser mais patético do que um bolsonarista empunhando a bandeira do Estado Democrático de Direito. Corrente política nascida do louvor à ditadura e evoluída para o negacionismo histórico e científico, alicerçada na forjadura de mentiras, na destruição institucional e na distorção de preceitos religiosos, o bolsonarismo integra um movimento global de extrema-direita já plenamente identificado. Jair tem pares mundo afora.
O método da turba já foi desvendado faz tempo: ataca-se o adversário contrapondo-o a certos valores morais consolidados na sociedade, normalmente valores calcados na hipocrisia. Os argumentos são rasos, quando não infantis. Orgulham-se os bolsonaristas da ignorância que tentam emplacar como simplicidade. Esse populismo deletério chega ao ponto de desqualificar o conhecimento, o intelecto, a formação acadêmica.
Não bastassem as baboseiras comportamentais que pregam mas não praticam, no campo político-institucional os bolsonaristas também são contraditórios: quando seu jogo sujo baseado em fake news é confrontado judicialmente, clamam por liberdade de expressão, definem um magistrado como alvo e abraçam uma figura argentária global como defensora de direitos fundamentais, os mesmos direitos que sempre desprezaram, quando não combateram.
Desde sempre, o espectro político que compõe o entorno de Jair & Sons tratou direitos fundamentais como “coisa de esquerdista”. A palavra “liberdade” nunca constou do dicionário reacionário que carregam debaixo do braço. A tal “liberdade de expressão” que dizem agora defender historicamente recebeu de seus inspiradores tratamento a bala. A liberdade que querem – tantos já escreveram isto com propriedade – é a de apregoar seu fascismo e disseminar negacionismo. É a liberdade de conspirar contra a democracia, de urdir golpes de Estado que perpetuem seu medievalismo.
Sem surpreender ninguém, nomes do jornalismo identificados com um conservadorismo que se pretende civilizado, pero no mucho, subvertem a realidade para pintar o Judiciário atual como opressor de liberdades. Ícone da mídia piegas, Carlos Alberto Di Franco assim escreveu no Estadão: “Qualquer crítica é encarada como um atentado à democracia. Não vimos isso nem nos piores momentos da ditadura militar”.
Alguém precisa dizer ao professor Di Franco que discurso de ódio, incitação a crimes e arregimentação de pessoas para ato violento contra o Estado não se confundem com “qualquer crítica”.
