Quem não quer uma política industrial?

Por Paulo Henrique Arantes

O governo lançou seu plano de incentivo à indústria, cuja regressão da participação na economia nas últimas décadas tem sido determinante do baixo crescimento do país. Estimular a indústria, com alguma dose de protecionismo, propiciou aos países ditos desenvolvidos tornarem-se o que são.

Sabe-se muito bem como pensam os economistas que consideram a desinsdustrialização algo natural, em certos casos até bem-vinda. São os mercadistas de sempre. Eles perguntam: a indústria decai por força de mercado, ou seja, empresários tomam decisões e o resultado dessas decisões é uma trajetória de redução da participação da indústria no PIB? Ora, então não há problema.

É a prevalência do “Deus Mercado” em sua acepção máxima.

Neoliberais não enxergam nenhum motivo razoável para a indústria merecer tratamento diferenciado ou ser objeto de políticas específicas. Contradizem assim o exemplo da Embraer, nosso case de sucesso absoluto: construiu-se uma escola, junto com a escola construiu-se um centro de pesquisa, junto com essa escola e esse centro de pesquisa construiu-se uma indústria aeronáutica. Tudo isso aconteceu sem incentivo estatal? Ora, a Embraer era estatal até 1994.

O governo Lula está oferecendo uma política de financiamentos e subsídios, que será ok se bem direcionada.

Na verdade, ao se fazer a abertura comercial no fim dos anos 80, prejudicou-se muito os setores da indústria que se desenvolveram nos anos 70. A solução para o problema não seria tornar o desenvolvimento da indústria um fim em si mesmo, partindo-se da ideia de que devêssemos desvalorizar o real para competir com o resto do mundo.

Talvez também não devamos dar incentivos a torto e a direito, mas quando se fazem investimentos púbicos em infraestrutura, saneamento, mobilidade urbana, complexo de saúde, tecnologia verde, enfim, esses recursos puxam consigo o desenvolvimento de setores de alta tecnologia. Registre-se que o Plano Lula-Alckmin prioriza a inovação e, como descrito, abrangerá cadeias agroindustriais, saúde, bem-estar das pessoas nas cidades, transformação digital, bioeconomia e defesa.

Assim, estar-se-á desenhando uma política para melhorar serviços e bens públicos – esse deve ser o objetivo final.

Agradecimentos do colunista à professora Laura Carvalho pelo papo de tempos atrás.

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