Xandão contra os Goebbels do século XXI    

Por Paulo Henrique Arantes

  Alexandre de Moraes capricha no voluntarismo ao bater e rebater na tecla da necessidade de se criar uma legislação que coíba o uso da internet para disseminação de fake news. Mas a insistência do ministro justifica-se. Assim ele discursou na cerimônia rememorativa do 8 de Janeiro: “As democracias não podem mais ignorar o poder político das redes sociais como o mais novo e eficaz instrumento de comunicação de massa e a desinformação massiva nelas praticada por grupos extremistas, sem qualquer regulamentação concreta, com a proliferação de notícias fraudulentas e discursos de ódio e antidemocráticos, como instrumento de corrosão da democracia”.

      Esta coluna, mais de uma vez, alertou para a importância de o Congresso retomar a apreciação do Projeto de Lei 2.630, que trata do tema. O que a extrema-direita pratica no Brasil e no mundo, seguindo manual do nefando Steve Bannon, é a evolução tecnológica do marketing nazista, concebido pelo Bannon de Hitler, Joseph Goebbels.

      Goebbels ensinava que se devia combater um inimigo único, atribuindo a ele todos os males da nação – os judeus ontem, a esquerda hoje. O marqueteiro do nazismo adotava o princípio do exagero e da desfiguração, transformando pequenos erros dos adversários em enormes delitos e, assim, pespegando medo na população. Bolsonaro não fez outra coisa durante os quatro anos em que esteve na Presidência do Brasil.

      O modelo goebberiano consistia – mediante discursos em praça pública e uso intensivo do rádio – em tratar boatos como verdades, e a partir de então replicá-los insistentemente como notícias. O marqueteiro do nazismo, assim como os membros do gabinete do ódio bolsonarista, cooptava “especialistas” em diversos temas para respaldarem suas posições, obliterando opiniões contrárias e desqualificando seus autores. Foi isso que se viu, por exemplo, durante a pandemia, com Osmar Terra e Nise Yamaguchi fazendo o serviço sujo.

      Eis algumas frases atribuídas a Goebbels (com agradecimento aqui à equipe do Marketing com Café) que poderiam estar na boca de Steve Bannon, de Carluxo, Bananinha ou Filipe Martins:

“Nós não falamos para dizer alguma coisa, mas para obter um certo efeito.”

“Para convencer o povo a entrar na guerra, basta fazê-lo acreditar que está sendo atacado.”

“Mais vale uma mentira que não pode ser desmentida do que uma verdade inverossímil.”

“A propaganda deve limitar-se a um pequeno número de ideias e repeti-las incansavelmente, apresentando-as repetidas vezes a partir de perspectivas diferentes, mas sempre convergindo para o mesmo conceito. Sem fissuras ou dúvidas.”

“Individualize o adversário em um único inimigo.”

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