
Por Paulo Henrique Arantes
Bolsonaristas e quejandos conservam a incrível capacidade de criar e de acreditar nas mais óbvias bobagens. No purgatório político e a um passo do inferno judicial, Jair ainda estimula seguidores a bradarem fakes, como as que rotulam a esquerda de antissemita. Justamente os bolsonaristas, donos de indisfarçadas semelhanças com Adolf Hitler.
A estratégia dos filonazistas brasileiros, hoje empenhados em inocentar Israel do banho de sangue em Gaza, continua a mesma de sempre: liga a esquerda ao Hamas, bola da vez, como já o fez com o Hezbollah, as Farc e até o PCC. Enquanto isso, o governo brasileiro vai se tornando protagonista da luta pela paz.
O trecho a seguir é do ex-Twitter , ora X, de Jair M. Bolsonaro, em 18 de outubro de 2023: “As derivações de toda a inércia no Brasil são claras. Aliados do Hamas e Hezbolah (sic) já estão aqui e alinhados com as facções engravatadas ou que fazem reféns nas favelas, causarão a destruição do Ocidente e a implementação do mal, e o pior, com o apoio de inocentes que serão as futuras vítimas ou com a influência dos canalhas que sabem o que estão fazendo”.
Ver filonazistas defenderem os judeus, ainda que os identificando indevidamente como “Israel”, chega a ser hilário. A argumentação e o português pedestres dessa turma são casos à parte – “(…) causarão a destruição do Ocidente e a implementação do mal” é de corar bispo evangélico.
Interessante recordar o que fizeram recentemente alguns representantes daqueles que hoje posam de defensores do povo judeu, que, reitere-se, pouco ou nada tem a ver com o governo de Israel.
Em 2020, o secretário de Cultura, Roberto Alvin, ao anunciar o Prêmio Nacional das Artes, “roubou” trechos de um discurso de Goebbels. Em 2021, Bolsonaro recepcionou no Palácio do Planalto – e posou para foto ao seu lado – a deputada alemã de extrema-direita Beatrix von Storch, neta de Ludwig Schwerin von Krosigk, ministro das Finanças de Hitler.
Miliciana virtual pró-Bolsonaro, a promotora Marya Olímpia Ribeiro Pacheco, do Ministério Público do Distrito Federal, publicou em sua contra no Facebook, em 2016, sete imagens de cartazes nazistas e mensagens de apoio ao fuhrer. Ela alegou a intenção de apontar semelhanças entre as propagandas nazista e stalinista.
Em 2021, no “cercadinho” do Palácio da Alvorada, um adulador de Bolsonaro citou a experiência hitlerista como modelo ideal para educação infantil no Brasil. Não foi refutado pelo presidente. Bem antes, em 1995, o deputado Jair Bolsonaro posicionou-se em defesa de alunos do Colégio Militar de Porto Alegre que escolheram Hitler como seu personagem histórico mais admirado. O então parlamentar disse que o líder nazista soube impor ordem e disciplina.
