
Por Paulo Henrique Arantes
A agência Aos Fatos classificou o Brasil 247 de hiperpartidário. Até poderia sê-lo, se referido como partidário de certos princípios. Mas é claro que o artigo de Gisele Lobato tentou pintar o site progressista com as cores do PT, como outros já fizeram, entre os quais o imponderado Ciro Gomes.
Estranho. Por que Aos Fatos não se refere à Folha, ao Estadão, à Globo (jornal, sites, TV), à Veja como hiperpartidários? O tal jornalismo profissional que esses veículos se atribuem não resistiria a uma avaliação de média profundidade. Sites e canais abertamente de direita são menos hipócritas.
O quarteto Folha-Estadão-Globo-Veja foi, em pool, radicalmente partidário da Operação Lava Jato e ainda mantém patética simpatia por Sérgio Moro, juiz parcial devidamente desmascarado. Os quatro nunca fizeram a tal mea culpa – que cobram de outros – pela erosão democrática provocada por Jair Bolsonaro, fruto da Lava Jato.
É desde sempre partidário, o quarteto, de um liberalismo econômico rudimentar, uma ortodoxia cega e, de resto, descartada mundo afora. Folha, Estadão, Globo e Veja são, antes de tudo, hiperpartidários de uma elite encastelada, que chega ao absurdo de elogiar a conduta “técnica” do Banco Central ao manter o país estagnado pelos maiores juros do planeta. Optam por atacar um presidente da República que cobra juros menores, salários maiores, produção, consumo, crescimento – enfim, a roda saudável da economia.
O quarteto vestiu a fantasia de defensor da democracia diante do horror bolsonarista. E posa aqui e ali como civilizado em temas comportamentais. Mas não pratica a essência da democracia, que é, além de noticiar a verdade nua, posicionar-se pela igualdade, em defesa dos excluídos do Orçamento.
O quarteto, com vista grossa da agência Aos Fatos, é hiperpartidário da privatização indiscriminada, por isso condena a ação governamental de salvamento da Eletrobrás. Assumam ou não, são cabeças econômicas assemelhadas à de Paulo Guedes (ainda), hiperpartidárias de um liberalismo soterrado pela crise de 2008.
Políticos, economistas e jornalistas em estado de sanidade não propõem que se saia a estatizar tudo que há pela frente – não se trata disso. Porém, em hipótese alguma cogitam colocar em mãos ligeiras setores estratégicos da economia de um país, tampouco dar a empresários que buscam lucro – e só lucro – autonomia para gerir serviços essenciais à população.
O modelito “disfarçado” é o pior dos partidarismos. Tomar partido de peito aberto não é para qualquer um.
