
Por Paulo Henrique Arantes
É vergonhosa a tentativa dos jornalões de desqualificar o governo Lula aos 100 dias. Vergonhosa e desprovida de senso mínimo do ridículo. Primeiro, porque 100, 150 ou 200 dias nada significam em termos de metas e prazos quando se trata de reconstruir um país destroçado, segundo porque a evolução do Brasil no período, face à involução administrativa, institucional e democrática promovida por Bolsonaro, é estupenda.
Bastaria enfatizar que Lula domou uma tentativa de golpe de Estado na primeira hora do mandato e que pôs em prática conceitos básicos de civilidade governamental, além de assumir compromissos com a diversidade e a inclusão.
A forma arredondada da terra não está mais em discussão. Leonardo Sakamoto resumiu bem a nova realidade: passamos a discutir a taxa de juros em vez de questionar a eficácia de vacinas.
O Brasil, assim que Lula subiu a rampa pela terceira vez, voltou a exercer política internacional. O país, de imediato, readquiriu seu papel relevante perante o mundo. Não há milagre: esse espaço cabe ao Brasil, mas fora jogado no lixo pelo obscurantismo diplomático bolsonarista.
Saúde, educação, tecnologia, meio ambiente e cultura voltaram a ser conduzidos por pessoas partidárias do conhecimento, não de princípios pré-iluministas, quando não nazistas.
A própria economia, que para os jornalões seria o calcanhar-de-aquiles do governo Lula, já conta com um projeto mais do que palpável de crescimento responsável – mas não adianta, eles querem a preponderância de um neoliberalismo já desacreditado mundo afora e não descansarão da missão de atacar um governo que põe a qualidade de vida do povo no topo das prioridades.
O jornalão da família Marinho – que no geral tem se portado bem melhor do que a cínica Folha de S. Paulo -, nesta terça-feira (11) superou-se em exposição ao ridículo. O editorial intitulava-se: “Primeiros cem dias de Lula deixam a desejar”. No parágrafo das ressalvas, o editorialista deveria desculpar-se pelo título: ’A área ambiental passou a contar com uma gestão sensata que trata de recuperar a Amazônia, a saúde se viu livre do negacionismo que custou centenas de milhares de vidas na pandemia, e a política externa, embora ainda sujeita a críticas, começa a recuperar o prestígio do Brasil no cenário internacional. Mais importante, Lula liderou o repúdio aos ataques do 8 de Janeiro ao lado de governadores, líderes do Legislativo e do Judiciário, numa união pela democracia que tem presença garantida nos livros de História”.
O que mais essa turma queria em 100 dias?
