Encontros de Bolsonaro com Putin e Orbán isolarão ainda mais o Brasil no mundo, diz Rubens Ricupero

Por Paulo Henrique Arantes

O que significam os encontros oficiais de Jair Bolsonaro, em fevereiro, com Vladimir Putin e Viktor Orbán, mandatários russo e húngaro que não mostram o menor apreço pela democracia? Significam que o presidente brasileiro estará frente a frente com dois dos autocratas nos quais se inspira, principalmente no caso do extremista de direita Orbán, e que o Brasil voltará ao tempo do obscurantismo diplomático de Ernesto Araújo, que parecia abandonado desde que Carlos França assumiu o Itamarati.

Em conversa com o Noticiário Comentado, Rubens Ricupero, ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos e na Itália, prevê mais um salto de Bolsonaro na direção do completo isolamento global. “Orbán é num líder de extrema direita isolado no mundo cujo poder está ameaçado em seu próprio país. É uma aposta diplomática errada e pode ser mais um ‘prego no caixão’ de Bolsonaro, a exemplo do que foram as derrotas de Donald Trump e Benjamin Netanyahu”, disse Ricupero.

Já Putin, avalia o diplomata e ex-ministro da Fazenda e do Meio Ambiente, personifica hoje a maior ameaça à paz mundial, com a iminência de invasão da Ucrânia. “É um líder de potência armada que tem violado regras internacionais. Para onde irá a imagem do Brasil se Bolsonaro encontrar-se com ele logo antes ou logo depois de uma invasão da Ucrânia?”, indaga Ricupero. E responde: “O encontro será interpretado como apoio”.

Consertar o estrago diplomático que Bolsonaro provoca ao país não será tarefa fácil para o próximo presidente da República. Ex-subsecretário-geral da ONU, Rubens Ricupero diz que enxerga em Lula, líder em todas as pesquisas, alguém que “de fato, tem uma política externa”, como mostrou sua recente viagem à Europa. “Junto com Celso Amorim, Lula tem condições de conduzir bem a política internacional”, observa o ex-ministro, salientando sua discordância quanto a declarações recentes do ex-presidente sobre a Venezuela e a Nicarágua.

Ricupero lamenta que os pré-candidatos a Presidência do Brasil não mantenham temas ambientais em suas agendas prioritárias. Parece que lidam com tais questões por obrigação. “Nossos políticos, quando falam do tema, é mais por pressão do que por convicção. Eles são espertos no jogo do poder, mas atrasados no trato das grandes questões globais”.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Gravatar
Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. ( Sair / Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. ( Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. ( Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. ( Sair / Alterar )

Conectando a %s