Lenio Streck: “Não levo fé no TPI”

Por Paulo Henrique Arantes

A hipótese de que o presidente Jair Bolsonaro venha a ser condenado no Tribunal Penal Internacional, a partir de uma denúncia com base no relatório da CPI da Covid, tem poucas chances de se concretizar. Assim como disse ao Brasil 247 o jurista Pedro Dallari, também o jurista Lenio Streck considera o caminho de Haia fadado ao insucesso.

“Eu, particularmente, não levo fé no TPI. Além de o processo levar um século, a possibilidade de o procurador aceitar denunciar Bolsonaro é baixa”, disse Streck ao Brasil 247.

Para Streck, a máxima “errar o padre, mas acertar a igreja” não vale neste caso. “É preciso mirar no padre e acertar”, enfatizou, sugerindo ações judiciais mais específicas.

Segundo o jurista, processos da modalidade dos que podem emergir da CPI são carregados de alto teor político, fator que não deve ser desprezado. “Vivemos em tempos de relatos, não de fatos. É só perguntar para os mestres sofistas Luís Carlos Heinze e Marcos Rogério”, ironiza Streck.

Heinze (PP-RS) e Rogério (DEM-RO) sãos senadores bolsonaristas e defensores do uso de cloroquina e outros medicamentos comprovadamente ineficazes contra o coronavírus. Sofistas eram filósofos gregos que primavam por disseminar falsas verdades mediante recursos retóricos. Nada mais atual.

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