Quadro de escassez hídrica se agrava a cada dia, alerta meteorologista do Cemaden

Por Paulo Henrique Arantes

O presidente Jair Bolsonaro pede para o brasileiro economizar água e tomar banho frio, atitude em conformidade com a insensatez que o caracteriza. Sobre ações concretas do governo para amenizar os efeitos da crise hídrica e impedir racionamento de energia, nada. Em maio último, matéria do Brasil 247 alertava para os graves riscos provocados por sete anos de pouca chuva. O que mudou desde então?

Segundo o meteorologista Marcelo Henrique Seluchi, coordenador-geral de Operações e Modelagem do Cemadem (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), órgão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, de maio até hoje o quadro se agravou. “Durante a estação seca, que está acabando, consomem-se os recursos dos reservatórios. A torcida é para que a estação chuvosa comece logo”, diz.

A hipótese positiva de que as chuvas venham em breve é só isso – uma hipótese. O que existe de concreto é a constatação de que o quadro se agrava. 

“Na região sul continua a situação de seca e não há previsão de mudar, porque vamos ter o (fenômeno atmosférico) La Niña, muito provavelmente, voltando, e isso vai diminuir as chuvas na região”, alerta Seluchi.

Em contrapartida, o La Niña pode favorecer as chuvas no norte e no nordeste do país. “Talvez em bacias como a do São Francisco, do Tocantins-Araguaia e do Xingu possa chover acima da média. Mas, de uma forma geral, precisamos ver como será o próximo quadro chuvoso. Nas regiões sudeste e centro-oeste é muito difícil de prever. Até agora, estamos consumindo o que tem na caixa d’água – está restando muito pouco”, adverte Marcelo Seluchi.

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