Por Paulo Henrique Arantes
As promessas do presidente Jair Bolsonaro feitas hoje na Cúpula dos Líderes sobre o Clima, como a eliminação do desmatamento ilegal até 2030, cairão no vácuo criado pela própria inação do governo brasileiro quanto à preservação da natureza, particularmente da Amazônia. Enquanto Bolsonaro ocupar a Presidência da República, o Brasil continuará como pária ambiental global.
Quem afirma é o cientista Carlos Nobre, uma das principais referências brasileiras – e internacionais – sobre clima e Amazônia. “Não haverá reversão da falta de credibilidade que o Brasil já atingiu no mundo em várias questões, inclusive tornando-se um ‘vilão ambiental’ na Amazônia, antes de uma redução muito acentuada nas taxas de desmatamento, degradação florestal e queimadas”, disse ele ao Brasil 247.
Carlos Nobre ganhou recentemente o prêmio “Science Diplomacy”, que não se deve traduzir simplesmente como “Diplomacia Científica”, como a mídia fez, mas algo como “Diplomacia em Prol da Ciência”. Ele é primeiro brasileiro a receber a condecoração da Associação Americana para o Avanço da Ciência.
“Estamos entrando no início da estação seca nas áreas mais desmatadas da Amazônia e, até o momento, não apareceram evidências de redução marcante dos desmatamentos. Sem queda dos desmatamentos, tais discursos não serão levados a sério, como nada do que o governo federal fala sobre meio ambiente é levado a sério nacional e internacionalmente”, avalia Nobre.
